Chapecoense é condenada a indenizar família de jornalista morto na tragédia aérea de Medellín

A Associação Chapecoense de Futebol foi condenada pela Justiça ao pagamento de R$ 450 mil em indenização à família do jornalista Giovani Klein Victoria, de 28 anos, uma das vítimas da queda do avião que transportava a delegação do clube para Medellín, na Colômbia, em 2016.

Giovani atuava como repórter da RBS TV Chapecó e cobria o esporte no Oeste catarinense. Natural de Pelotas, no Rio Grande do Sul, ele trabalhava na emissora desde 2014.

A decisão reconheceu a responsabilidade civil objetiva e solidária da Chapecoense na contratação da aeronave operada pela companhia LaMia. Conforme a sentença, o clube teve culpa grave ao escolher a empresa aérea, diante do entendimento de que houve negligência na opção por uma alternativa mais barata, apesar da existência de outras possibilidades consideradas mais seguras.

A indenização foi fixada em R$ 150 mil para cada um dos três autores da ação: a esposa e os pais do jornalista.

Durante o processo, a defesa da Chapecoense sustentou que Giovani embarcou gratuitamente, na condição de profissional da imprensa, e que não havia contrato direto entre o clube e a vítima. O argumento, no entanto, não afastou a responsabilidade civil da associação, segundo o entendimento judicial.

A Justiça também negou os pedidos de indenização por danos materiais, referentes a despesas com tratamento psicológico, além da pensão mensal solicitada pela companheira da vítima, por falta de comprovação. A ação chegou a incluir a companhia aérea LaMia e a seguradora Bisa Seguros, mas o processo foi encerrado em relação às empresas após desistência dos autores.

Em nota, a Chapecoense informou que não irá se manifestar sobre o caso, considerando que o processo ainda está em andamento.

A tragédia ocorreu em 29 de novembro de 2016, quando a aeronave que levava jogadores, dirigentes, comissão técnica e jornalistas caiu nas proximidades de Medellín. A delegação seguia para a primeira partida da final da Copa Sul-Americana.

A investigação da Aeronáutica Civil da Colômbia concluiu, em 2018, que o avião viajava com combustível insuficiente para completar o trajeto entre Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, e Medellín. O relatório apontou esgotamento de combustível e falhas na gestão de risco da companhia aérea LaMia.

Das 77 pessoas que estavam a bordo, 71 morreram. Em novembro de 2026, o acidente completa 10 anos.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *